Quase poema, quase texto




Posso ganhar mais um suspiro de impaciência, afinal, não mereço nem sorriso de canto de boca.
Posso, já no segundo momento, despertar a tua preguiça arrastada de terminar mais uma das minhas agruras sobre os meus lamentos.
Posso, agora deixar de fingir que sou blasé, engolir além do meu orgulho a minha ironia escabrosa e assumi o meu desalento, não poupar falar do sofrimento que ando sentindo desde o dia em que fui contigo pior do que tenho sido comigo.
Posso fazer rima vã, posso desperta-te, de novo, a impaciência de quem foi violada em seus sentimentos e já não tem o coração aberto pra’rima minha sem cabimento.
Eu tenho que dizer, escutei o Chico e senti que o terror das minhas palavras contigo, se fez mal em ti, abriu um buraco no meu peito.
Eu preciso falar que não conheço de ti, do teu silêncio, que contemplo meio feliz, meio triste.
Eu insisto em te lembrar dos teus suspiros, dos teus tomentos, eu de nada, sei. Só observo impaciente, imóvel, feito uma oração que nunca acaba e nem trás alento.
Te mentiria se isso te fizesse mais feliz, mas, da vida eu ainda não sei. E talvez por isso, minha amiga, eu te torno às vezes, com os meus dizeres, mais triste, menos alegre, como tu haveria de ser, alegria que deveria de te acompanhar pelas ruas triste dessa cidade que sem saber te sufoca.

Te escrevo, quase em poema, porque disso eu também não sei, mais escutar Chico me fez querer te pedir, não o perdão sarcástico de todos os dias errantes, mas que sinta pena da minha tristeza que as vezes não acerta o espelho em que olho mas o amigo que retribui o meu riso, que não passa de fingido.
Eu diria que esses dias ando meio me sentindo um pouco ruim, sem rima, sem dó de mim, é bem verdade que é um tanto exagero tudo que escrevi de mim, mas tu não há de duvidar de mim, de tudo que falei, do que ficou implícito do que espero que esse quase poema signifique pra ti: a poeira finalmente dissipada entre nós.
Se te fiz um poema é porque sou errante.

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