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O sonho no céu de baunilha...
Talvez fosse esse o cenário da minha ilusão.
Um lugar onde não existe a angústia do tempo passando, ou mesmo a sensação de
perda do tempo. Um céu onde tudo é minimizado em sua importância, aliás, nada é
tão sério. É tudo bem leve. Do alto, com um vento forte e ao mesmo tempo não
sentido, tudo sendo possível. Nada sendo submergido, não existe mistério.
Uma melodia simples, uma fixação: As vontades sendo substituídas por uma melodia. A
música, única testemunha do milagre, um êxtase indizível para chegar-se ao puro amor?
Nos sonhos em que podemos voar, mesmo naqueles em que os olhos continuam abertos, dentro do sonho, o medo de
cair não existe. Você só quer descansar de tudo que é tão pesado. Correr pela auto estrada, sumir. Porque todos
olham para você, mas no céu de baunilha você não se importa. Tanto tempo
procurando por um resquício de quem você já foi um dia, e no céu de baunilha, lá você encontra seu antigo EU reclamando pela demora. Oh, é tão justo, como você não tinha pensado antes? Era tão óbvio. Era a
sua dor, o seu desespero, e voar no céu de baunilha era tudo o que você
precisava. Você deve estar se sentindo feliz agora, está olhando o céu mais bonito de todos, a visão de paraíso que sempre te fascinou e mais desejou um dia poder ver. No
sonho, onde tudo rir para você, onde o tempo não passa. Onde nada pode mais te
incomodar. Onde o seu sorriso é enfim, sincero. Onde você fecha os olhos e
continua sentindo. A verdade é que essa é você, e você só queria morrer para que tudo o que te deprime desaparecesse. Respirar já estava cada vez mais insuportável. É preciso encarar os fatos, esse era o seu destino.Você
sempre se inclinou, a cada passo ou tropeço, para olhar para o céu de baunilha. Ficava horas imaginando
quando esse dia chegasse o que iria sentir, no entanto, quando o dia chegou você estava ali, parada, sem sentir o seu próprio corpo, não sabia sequer descrever o que estava sentindo. Contemplava
em silêncio, a ausência da compreensão do que se passava te deixou, pela primeira vez, infinitamente humilde, e encarava esse vazio de respostas com alegria e sem frenesi. Afinal, você estava morrendo, e só naquele
instante compreendeu, que viveu todos os dia da sua vida para chegar aquele
instante. Desde o primeiro passo, todas decisões, todo o rumo da sua vida era para chegar àquele momento.
Fechou os olhos, algo lhe dizia que qualquer pedido
seu seria atendido, só podia querer alguém naquela cena que se desenrolava perto do seu fim. Eis que, no mundo
dos sonhos, seu pedido foi realizado... Ali estava ele, imóvel, parecia triste,
mais a expressão no seu rosto não era de tristeza, tinha um ar de amabilidade naqueles
olhos que a encantavam e deixava o seu céu ainda mais sublime...
Lembrou de coisas agradáveis, como o vento no seu
rosto em cima de uma árvore. Imagens de sua infância introvertida, de quando
banhava em riachos e tinha medo de ir na parte funda. Da adolescência e a
timidez. Do primeiro amor, da primeira dor, dos risos, dos choros, dos abraços,
dos beijos sem amor e, principalmente, os dado com tanto amor que doía o coração só em relembrar. Sentiu uma
melancolia ao lembrar do olhar doce da sua mãe e dos seus irmãos e sobrinhos. Estava
quase inerte. Olhou pela ultima vez para aquela face que quis ver como coisa última
dos olhos em vida, abriu os braços, como quem queria voar, e pulou na imensidão
daquele céu de baunilha.
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