Algo sobre o céu
Música para leitura ( http://www.youtube.com/watch?v=WeWjxFWMl7g)
Existe algo insólito em deitar-se na grama e apenas olhar para o céu. Apenas vê. Numa tarde qualquer perder-se olhando para o céu, há algo mais enigmático do que aquele sujeito que insiste em encarar aquela imensidão azul por horas, quase imóvel?
Ele se ajeita, parece encarar o céu com uma tristeza tão desoladora que, por um momento, ela, deitada ao seu lado, pensa em abraça-lo repentinamente e dizer-lhe palavras doces. Ele vira o rosto lentamente para a mulher e sorrir com os olhos- o coração dela dispara-, ele diz qualquer coisa sobre o quão o azul é vivo. As únicas palavras que ela consegue gaguejar lentamente é: O AZUL É QUALQUER COISA SOBRE FELICIDADE, QUALQUER COISA SOBRE TRISTEZA.
Os dois puseram-se a pensar sobre como o azul do céu tem esse mistério, essa dualidade, é triste, para quem o encara com melancolia, é alegre para quem não cabe em si de felicidade. Por algum motivo ela sente que disse algo grande. Ele fecha os olhos- ela volta a encara-lo com penar- e, de repente, uma lágrima escorre dos olhos fechados dele e vem acompanhado de um choro compulsivo. Ela ajeita-se para poder sentar na grama. Ele levanta repentinamente enxugando as lágrimas. Dá um beijo de ternura na testa dela e diz com a voz embargada:
-Eu queria me apaixonar de verdade por você, e tentei. Acontece que eu sou verdadeiramente solitário e eu gosto disso. Querida, eu tenho mentido para você todos esses anos em que você também se sentiu sozinha. De certa forma, todo esse tempo estivemos procurando algo e, querida, eu nunca procurei por você. E eu me sinto desapontado por esconder isso tão bem, sinto que de certa forma eu amo você. Só que eu não estou apaixonado por você.
Ele saiu e ela voltou a deitar-se na grama. Algo mudara no azul do céu. E durante o resto da tarde até o crepúsculo ela encarou silenciosamente o céu e aquela fora a última vez em que o encarou.
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